Lembrança

EraUmaVez



...


Foi como ser criança e ter que se mudar de escola...
Deixar amigos, brincadeiras/criações, hábitos, idéias, lugares...
Mas é preciso mudar, chacoalhar, perder o chão de vez em quando...começar tudo de novo.
E todas estas coisas que "ficaram pra trás", quando verdadeiras/Reais, viram tatuagens, lembranças...
...que não carregamos durante todo o caminho, mas que em algum momento, serviram para abrir aquela porta fechadinha do
coração...e que por ter sido aberta, deixou de existir, mas fez aparecer uma outra chave...e é preciso abrir as portas...
sempre, e para sempre!

mudei de casa



Escrito por Lulu às 14h59
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...

para ler bem baixinho...
quase que como um sussurro
ou uma paixão que descansa
ou uma saudade que espera...


abriu os olhos, exausta
naquela manhã
de um hj qualquer de uma noite sem sonhos
como que de ressaca

o teto do quarto girava
embora a cabeça estivesse intacta

era o coração que pesava

mto mais do que o corpo pudesse suportar
como se algo contido lá dentro quisesse explodir de um movimento interminável

expansão...
contração...

o ventre já não mais suportava
no entanto a passagem ainda era estreita
aproveitava as contrações para avançar um milímetro arrastando-se por aquele caminho
expandia de novo

vertigem...
consciência...

avistou um pássaro com movimentos frenéticos e sem direção
e ela pensou:

“o que ele está tentando encontrar?”

no entanto
eram tão precisos e seu canto tão apaixonado
que uma coisa mal combinava com a outra
tornando tudo aquilo engraçado

e ela sorriu
pela primeira vez naquele dia de uma noite sem sonhos

...

eu acho que aquele pássaro não existiu
ou talvez ele fosse seu próprio coração expandindo
desesperado
dizendo que:
embora frenético e sem direção
existe um canto apaixonado e preciso
que se perde o tempo todo
por não estar procurando nada
pois em casa
o teto ainda girava e o coração expandia
mas ela aprendera a cantar!



Escrito por Lulu às 14h16
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Para minha filha!

Ela gosta de brincar de carrinho...
Juntar um monte de histórias e inventar uma só...
Trocar completamente as bolas, se fazer mãe e me tornar filha...
Ela presta a máxima atenção nas coisas que eu falo...e em tudo!
E talvez às vezes eu deva me calar...
Mas eu não me canso de inventar respostas...
E ela não se cansa de inventar perguntas...
Seguimos criando juntas...
Ela dá demonstrações públicas de Amor...
Pq ninguém ainda lhe disse que ela não pode...
Ela faz birra...começa a impor idéias!
E trata de explicar muito bem explicado!
E eu vou deixando...
Adoro mesmo os argumentos que ela usa...
Ela faz falta...
Eu me sinto mais viva quando estou do lado dela...
É como se me alimentasse
Daquilo que o resto do mundo me afasta!
Ela olha nos olhos...
Da beijinho na boca...
Dorme nos braços...
Entra nos sonhos e
Acorda feliz!
Ela é só uma criança...
E talvez seja isso!



Escrito por Lulu às 15h13
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eu sei...está péssimo esse lilás ai de fundo.
mas eu explico:
sentei com meu professor pra ele me ajudar a arrumar o blog do jeito que eu queria...
ele me ensinou...mostrou...mudou isso e aquilo pra eu ver e tentar arrumar em casa depois.
bom, o tempo passou, passou e passou...
quando olhamos no relógio não tinha mais tempo para nada!
e o blog ficou assim...
ele tinha que ir embora e entregar a sala lá no senac!
pior: justo esta parte, ele fez no dreamweaver que eu ainda não sei mexer...
então ficou assim....

e eu tô de férias (bem merecidas,aliás!)
é verdade que tem o curso ainda, mas eu gosto tanto de lá que não considero como uma não-férias!
então nem vou ficar pirando muito nisso hj! (só segunda)
vou andar de bike...
dormir! dormir! fazer origami! ler!
correr atrás das minhas coisas "projetuais" que eu tbém não tinha tempo...
ir no cinema (pq eu nunca podia ir no cinema em função dos meus horários)
enfim...

ai...como é bom não ter nadinha de nada pra fazer, ou somente coisas que se quer e que se gosta...
já tinha até me esquecido o que era isso!



Escrito por Lulu às 17h04
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era bem assim que eu estava me sentindo
como um cd emperrado no drive que não serve pra mais nada
então,
fui cuidadosamente ejetada
sabe aquela história?

"se adapta ou te cagam para fora do sistema"?

pois é, meu corpo rejeitou
minha mente adoeceu
não me adaptei e cá estou
agora não me sinto mais emperrada
me sinto naquele redemoinho que faz quando damos a descarga
uma espiral de mistérios
que não sabemos bem onde vai dar
mas sabemos que vai ser em algum lugar
e eu espero que esta seja uma privada ecológica
pq assim viro adubo, comidinha de flor!





Escrito por Lulu às 19h40
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"Quando te vi, amei-te já muito antes..." (Fernando Pessoa)



É isso! Eu sempre gostei de Santos, mas eu nunca soube explicar muito bem o porquê...vivi por lá durante dois anos, os amigos que fiz são, tranqüilamente, possíveis de serem contados nos dedos, e de uma mão só!!
Pois é, foram poucos e bons!

Talvez o que me fascinava em Santos naquela época, fossem as facilidades que eu tinha como: ir para lá e para cá de bicicleta com a Mel na cadeirinha (já que nas planícies não existem subidas e descidas), fazer caminhadas na praia com ela no canguru (já que ela ainda não andava nesta época), freqüentar aquelas feirinhas de artesanato e parquinhos que são construidos na areia, e me divertir bastante com estas coisas simples que eu adoro!
Tudo isso sem dúvida me causava um certo prazer...no entanto, existia alguma coisa a mais do que somente prazer naquela cidade que pouco a pouco tem se mostrado pra mim, e eu estou ficando completa e agora explicavelmente, apaixonada por ela!

Tudo começou em uma tarde de domingo...

Bem, eu tenho mania de torcer o nariz para as coisas que a minha mãe diz, antes mesmo dela terminar de dizer... (e mais tarde, eu percebi que esse negócio de torcer o nariz para o que a mãe diz é algo bem comum, aliás.)

Pois então...naquela tarde, minha mãe e meu pai preparavam-se para ir ao centro de Santos visitar uma daquelas lojinhas de bugigangas, e minha mãe me chamou para ir junto. E claro, com uma GRANDE idéia (ela sempre vem com essas grandes idéias para serem executadas pelos outros).

 

- Porra mãe!!! Vc tá de gozação, né?? Ir ao centro de Santos andar de “bondinho” com a Mel enquanto vc faz o que tem que fazer??? Nem que a vaca tussa!!! Eu não vou!!!

 

- É legal Lu...deixa só eu te...

 

- Não mãe...não quero ir...nós vamos ficar e assistir um filme, né Mel?

 

- Mas eu quero ir mamãe...

 

- Não, eu trouxe um filme ótimo pra gente ver...é uma história super legal...vc vai amar e...

 

continua...

 



Escrito por Lulu às 10h11
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...

Claro, eu fui ao centro de Santos andar de “bondinho”, afinal, os filhos decidem (quase) sempre coisas desse tipo!

Eu imaginava aqueles trenzinhos, que transportam as pessoas de “Suarão” para “Itanhaém” ou para “Cibratel I e II”, super mal feitos, cheio de crianças gritando com cachorro, papagaio, periquito, avó, avô, tio, tia, e que geralmente, tocam uma daquelas músicas bem vulgares que todo mundo sabe, num alto falante horroroso...enfim, eu não deveria “achar” tanto assim sobre as coisas...

Não há um modo mais agradável de se conhecer o centro histórico de Santos do que no tal “bonde”, um elétrico original, de 1920, que circula entre as ruas, entre histórias de motorneiros e cobradores. Até a voz da guia que conta sobre estas histórias é agradável de se ouvir, e além disso, não só o bonde, mas o motorneiro, também é original!!

Eu não sei quantos anos ele tem, e também não perguntei, as histórias eram, realmente, muito mais interessantes do que a idade dele. Tão logo, notei em seus olhos uma calma e um brilho lindo, típico das pessoas mais velhas e bem resolvidas. Dava para notar o Amor que ele sentia pelo trabalho de motorneiro-contador-de-histórias, um verdadeiro artista, artista da vida!

O passeio dura no máximo 20 minutos, entre igrejas e Valongos e teatros e Coliseu e ruínas e museus...e só quando o bonde parou, voltei a me lembrar de mim mesma, da minha rotina, da volta pra casa, do cotidiano...sim, o centro histórico de Santos faz o mundo parar!

Durante o passeio, descobri duas coisas que me interessaram: o “Museu do Café”, pq dizia a guia, que lá haviam todos os tipos exóticos de café que vc pudesse imaginar: café de laranja, de framboesa, café com licor, carioca, capuccino, café, café e mais café! E a outra coisa, foi a rua "XV de Novembro". Ela disse que toda sexta e sábado de noite, são colocadas mesinhas nas calçadas, é montado um palcozinho com bandas de chorinho tocando e as noites costumam ser muito agradáveis!

Claro! Fiquei com aquilo na cabeça...

“Quero conhecer o museu e as noites agradáveis”

No final de semana seguinte lá estava eu, tentando achar algo sobre a noite de chorinho, quando descobri que aconteceria entre sábado e domingo, a "Virada Cultural" da baixada santista. E no centro!!!!

A noite (sábado) e o dia (domingo) foram uma delícia, conheci pessoas lindas, entre teatros e  danças e oficinas e exposições e brincadeiras e conversas e músicas...conheci a agradável "Rua XV de Novembro", andei de bonde mais uma vez, e até a "Igreja do Valongo" (eu não gosto muito de igrejas) foi legal de conhecer. Em estilo barroco, é uma verdadeira galeria de arte com obras lindíssimas como o "Cristo Místico de Seis Asas". No final, só não consegui ainda, das coisas que eu queria, visitar o "Museu do Café", talvez eu vá este fim de semana.

E é melhor assim, que as coisas se mostrem aos poucos, porque demora mais pra acabar! Era isso que eu queria falar...

Que desde o dia do bonde, Santos tem sido o meu descanso, o meu colo de mãe, a minha cidade-refúgio...o lugar onde eu chego e esqueço. E de tanto, de tanto esquecer...

Eu me lembro!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por Lulu às 10h08
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